segunda-feira, 31 de janeiro de 2011

quarta-feira, 26 de janeiro de 2011



Eu tenho pensado muito nas meninas. Em todas, em especial nas que levaram uns tombos depois de breves beijos na calçada e resolvem brincar de crescer e agora não sabem como parar com isso. Tenho pensado nas suas habilidades em tecer expectativas por amores fabulosos, amores de Chico, romances de García Márquez, histórias de Roger Mitchell, com Julia Roberts e Hugh Grant. Ao criar tantas expectativas, viver a realidade não é decepção. É mero retrabalho.

Tenho pensado em suas novas músicas alegres e ruins, suas novas roupas luminosas clamando atenção para o que pouco importa, suas novas soluções alcoólicas, suas velhas mentiras que insistem em contar, seus finais infelizes, suas vidas escritas à caneta, aquele jeitinho doce e dissimulado de começar falando pelo final, suas vozes roucas de tanto gritar, seus chicletes de menta imitando o sabor de suas vidas após doze minutos, dentre lábios que mereciam estar sendo mordiscados nesse exato instante e não procurando sensações na tela do computador.

Tenho pensado nos três pontos finais que os moços colocam e elas teimam em ver ali reticências, uma réstia de esperança de que o episódio não signifique o óbvio, um tijolo a menos nas suas construções afetivas. Ontem eu vi uma menina de cinco ou seis tendo um de seus primeiros desejos latentes negados: um sorvete num parquinho meio vazio, aspirando brisa, com os cabelos finos desgrenhados pelo vento frio. Meninas são isso: fadas chorosas por sorvete fora de época, e não consigo lembrar, mais ou menos, o dia em que nós rapazes perdemos a conta disso e passamos a negar todos os sabores.

Com tantos direitos conquistados, foram perder justo o de ser feliz. Ir, rir e vir, sem precisar filtrar seus graus ou preocupar-se com o que o pai ou a cidade inteira vai pensar. Bárbaras e ninguém vê. Perfumadas e ninguém cheira. Ensaiadas e ninguém assiste. Indumentadas e ninguém elogia. Cheias de mistério e ninguém desvenda. Repletas de segredos e ninguém quer saber. Entupidas de palavras e ninguém pra ouvir. Com mais de 10 mil terminações nervosas em cada área intocada e ninguém pra pousar a mão quieta por mais de cinco minutos. Cheias de cena e ninguém a aplaudir. Cheias de blogs floridos que ninguém lê. Com dois ou três números de telefone aguardando ninguém ligar. Cheias de curva e todo mundo passando reto.

Se valorizando, se insinuando, se poupando para no fim se dar de graça, pois o "mercado" (péssima analogia) está em baixa e o que vier, mesmo sem nunca ter botado os olhos num Neruda ou num Almodóvar ou num Michael Buble, vem bem, é lucro. Eternamente se doando sem receber a cesta básica em troca: carinhos, fungadas, afagos, ombros, ouvidos, palavras, proteção, segurança, pão com ovo, telefonemas, cócegas, bilhetes, rosas de alguma cor ou beijos de lábios que caminham calorosa e cuidadosamente, transitando por pescoços, braços e orelhas.

Não pulgas e sim beijos atrás das orelhas, ali onde nenhuma menina tem o mesmo perfume da outra, o que desmente a tese de serem todas iguais. Elas só querem as mesmas coisas, talvez não agora, nesse momento, lugar ou fase da vida, e provavelmente não hoje, nessa festa ou reunião de amigos, na frente de vocês, em parquinhos vazios. Porque o amor está fora de moda.


(Gabito Nunes)

quarta-feira, 19 de janeiro de 2011

Hold on

Um bom filho será um bom marido?



"Um bom filho é um bom marido."

É impressionante com essa frase surge em conversas informais. Seja numa conversa entre amigos, entre mulheres repensando seus relacionamentos amorosos ou mesmo entre mãe e filha, aliás, acho até mais frequente nesse último caso - a mãe tentando convencer a filha a deixar aqueeeele namorado que ela não gosta ou a permanecer com aquele que tem um curriculum de "bom filho" impecável -. Independente da situação, vamos ao que realmente me fez repensar e parar pra escrever sobre: a base familiar é importante, fato! Mas quem não teve esse base, tá fadado a ser um "mau marido"?!
Esse texto era pra ser bem humorado, mas sinto que vou enveredar pelo lado sério da coisa. Acho simplesmente IN-CRÍ-VEL ver uma família com F maiúsculo; pai + mãe + filhos que vivem juntos, se amam, "quebram o pau" quando necessário mas estão ali, na busca diária de honrar o verdadeiro sentido da palavra família. Contudo, a tempos toda essa modernidade que nós mesmos pregamos já tomou conta dos lares espalhados pelo mundo e, independente da base familiar - tão rara nos dias de hoje - existe uma outra coisa tão importante quanto, que construímos dia após dia, alguns psicólogos inclusive costumam dizer que já nascemos com o nosso, que é o caráter.
Independente da família, se foi "tradicional" ou não, para um homem ser o que ele quiser ser, é fundamental ele possuir caráter. Na minha visão, até pouco tempo atrás limitada, acreditava que a base familiar era tudo, até conhecer pessoas que não tiveram esse alicerce mas possuem um caráter sem igual, que buscam para si o que não tiveram. Lógico que a base é importante, entretanto, quando o homem busca o melhor para si, vai ser bom no que se propor a fazer, inclusive na hora de construir a sua família e isso tá diretamente ligado ao seu caráter.
Uma das coisas mais belas de se presenciar é ouvir um homem falando/sonhando em ser pai. Antes de ser um bom marido, você já percebe quando o homem vai ser um bom pai... E nem precisa seguir a ordem cronológica das coisas.
Eu sonho em ter uma família estruturada, um bom marido e bom pai para os meus filhos, qual mulher não sonha? Mas sei que tendo um homem de caráter do meu lado, vou ter tudo isso.


quinta-feira, 6 de janeiro de 2011



Pra ele, me guardo. Ria de mim, mas estou aqui parada, bêbada, pateta e ridícula, só porque no meio desse lixo todo procuro o verdadeiro amor. Cuidado comigo: um dia encontro.


(Caio Fernando Abreu)